Filosofando o Cinema

Fazer cinema assemelha-se a brincar com a vida. Talvez a maior dificuldade do cineasta-roteirista seja dá força à expressão idealizada no papel. E faze-la “explodir” na concretude das imagens, moldando os passos que se realizam flame a flame, quadro a quadro. É a famosa cena impactante. Primeiramente, tenha em mente que cinema é linguagem. Todos são, porém aqui estou falando especialmente de cinema de autor. Tem o poder de comunicação universal. Portanto deve ter a intenção de dizer algo, o filme deve sempre passar alguma coisa. Agora a grande questão: Por que fazer cinema? Eu não tenho nada a dizer. Mas tenho muito a contar. Do ponto de vista pessoal, eu me considero um criador de histórias. O que amo fazer. Porque, de outro jeito, a vida não valeria a pena. Faço cinema para chatear os imbecis; para viver à beira do abismo; para correr o risco de ser desmascarado pelo publico a qualquer momento; e principalmente, para ver e mostrar o nunca visto, o bem e o mal, o feio e o belo.
“O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus!” - Federico Fellini.
Quando estou criando algo novo ou reinventando o alheio, no processo de escrita, me sinto Deus! Estabeleço a história. Pois faço ideologicamente um absurdo, que é o irreal torna-se real. O intangível torna-se concreto. O que é escrever, se não, inventar pessoas e fazer da vida delas o que bem entender? O que é dirigir um filme, se não, torna-se Deus e ironizar a existência caótica com um enclave de existência ordenada, enquadrada e significante? Tudo isso é metáfora, talvez pense que não queira dizer nada. Mas cada filme é uma vida a se fazer de alguma maneira e atribuir algum sentido. É uma expressão pessoal, é o improvável torna-se factual, ainda que seja inútil como tudo, é uma arte concretizada.
O filme é a representatividade histórica da vida, geralmente projetada em terceira pessoa. E na essência de cada filme, de uma forma geral, o que mostra basicamente é o quanto a vida humana é “pequena” e inútil. É como se ele esfregasse na sua cara, de forma implícita e aleatória, sua própria banalidade. Sem a função da linguagem simbólica e da poesia, os filmes seriam apenas imagem e som.
O criador é aquele que faz o sentido aparecer. Ele faz porque ele precisa fazer, ele precisa tirar o sentido da complexa e insignificante vida humana, separando conceitualmente a ficção da realidade e só assim poderá dizer que fez uma estória. A arte vai se revelar no sentir a imagem, e em tudo que o espectador sente enquanto assiste, é a arte.
E o que dizer do ator? Eu penso que para ser ator, é preciso ser um ótimo mentiroso. É preciso acreditar na mentira que sai da sua própria boca. Mas ter o cuidado de não ser tão realista, pois o realismo pode atrapalhar o texto. A expressão não deve impactar mais que a fala ao mesmo tempo. Quando a imagem emancipa a fala, a atenção do espectador acompanha a imagem e perde-se a fala. Na hora da fala a atenção deve ser direcionada totalmente ao significado do dialogo. Na hora da imagem a atenção deve ser direcionada totalmente ao expressionismo artístico ali projetado.
E é claro que todo cineasta deve saber, que o cinema é a arte da imagem, portanto uma imagem vale mais que mil palavras. Nenhuma palavra, mesmo que necessária precisa ser dita, quando se pode mostrar com imagens.
Sempre que penso em fazer um roteiro, a busca pela simplicidade é o meu maior desafio. Por que é na simplicidade, na coesão, no resumo, é no nada, na ausência, no vazio, no mais distante do pensamento racional, que a vida corre serenamente e esplendida, com toda perfeição em todos os sentidos.
- Leonardo Hutamárty

"A beleza ideal está na simplicidade calma e serena".
- Johann Goethe
"Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho".
- Clarice Lispector
"A simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último resultado da experiência, a derradeira força do gênio".
- George Bernard Shaw
"O óbvio é aquilo que ninguém enxerga, até que alguém o expresse com simplicidade".
- Khalil Gibran
"A simplicidade é o último degrau da sabedoria".
- Khalil Gibran
"A simplicidade é o último grau de sofisticação".
- Leonardo da Vinci

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